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Em paralelismo com os seus quadros, H. Mourato consegue inventar na escultura a partir de peças de recuperação, conjuntos estruturados nos quais encontramos duas vertentes: dum lado uma força rara e solitária baseada na rudeza dos materiais utilizados (aço frio, madeiras pintadas a preto com numerações glaciais lembrando a triste época dos campos de concentração nazis). Por outro lado o seu oposto, ou seja uma harmonia tranquilizadora onde cada peça se enquadra facilmente no seu conjunto como se fosse um mundo perfeitamente coerente e civilizado numa palavra em resumo, uma simbolização perfeita das contradições da nossa Terra. Jean-Pierre Blanchon |